Eu nunca fui uma pessoa de fácil
convivência. De personalidade forte e com um probleminha na cabeça que me faz
surtar, eu sempre causo mal-estar onde frequento. Do mesmo modo, a solidão tem me pesado demais esses tempos e eu sempre soube que o problema estava mim. Então, decidi mudar, ser uma pessoa melhor... Eu sei que soa ridículo (e deve ser), mas comecei pelo início: admiti meus erros e pedi
desculpas a todos que ofendi. A partir daí, passei a rever meus atos, conter
mais minhas verdades felinas e mais ainda tento ME conter, o que de longe é o
mais difícil! Não entrarei em detalhes, mas o meu probleminha na cabeça faz com
que determinados pensamentos e atitudes fujam de meu controle. Contudo, tenho
me segurado, tenho me esforçado desesperada e angustiantemente para não surtar
de novo.
De qualquer forma, tenho aprendido
a me portar mesmo com os comentários mais maldosos, dos quais são inevitáveis e
não podem ser mais maldosos que os meus já foram e, infelizmente, ainda são.
Portanto, tenho aceitado-os como uma espécie de castigo. Sinto que estou
exorcizando meus pecados e, por isso, preciso sofrer. Sinto-me como um drogado
em reabilitação...
No fim, o que mais pesa é tentar
mudar algo que não entendo. Envergonhar-me por atos que fiz mas ainda não
entendo o porquê de ter de sentir vergonha por eles. Ou, ainda, parar de dizer
algo que penso apenas para não causar mal-estar, sendo que o que digo é sincero
e deveria valer por isso. Enfim, segue três situações que tenho evitado:
#01. Não me intrometer
Parece bobagem, mas a maioria das
minhas “brigas” começaram por um comentário no facebook ou na vida real; sempre
que eu abro a boca em algo que não fui chamada há 50% de chance de haver
ressentimento. Em minha concepção, se você diz algo publicamente, você
automaticamente está disposto a receber comentários, mesmo alheios e que não
são coniventes com o que você pensa. Mas ir contra a maré só me trouxe
exclusão. Hoje mesmo eu levei uma patada por me intrometer em algo que não
conhecia e perguntando o que era. Segundo me informaram, não se deve fazer isso
pois é algo inconveniente. E, claro, quem me disse talvez tenha dito com uma
boa ou até mesmo maldosa intenção; contudo, qualquer que tenha sido a dimensão
na qual fora dita, não é maior que eu mesma fiz questão de aumentar para me
martirizar e agora sofro derradeiramente pelo que disse. Afinal, eu tenho um
probleminha que, como se não bastasse, pega o que me disseram e coloca uma
lente enorme em cima da dor!
#02. Não azucrinar as pessoas
Gosto do humor negro, daquilo que
choca e machuca. Minhas brincadeiras às vezes são tão pesadas que ofendem. E a
grande ironia – que por si só já é uma tremenda azucrinação para comigo mesma –
é que eu só tomei no cu por isso! Eu rio para depois chorar. Brincadeiras são
perigosas e recentemente fui chamada atenção no trabalho. Eu sou um desrespeito
e a minha vida é uma porra de sacanagem. Então, parar de zuar os outros está
sendo muito difícil!
#03. Não falar o que sinto
De todos os três, este é o pior!
Talvez, quando eu ainda não tinha nem consciência de que era um ser humano, eu
tenha feito um pacto de mim para comigo mesma sobre nunca esconder o que sinto;
de me expor como sou: defeituosa e com sentimentos à flor da pele! E esse
próprio post é um exemplo de como tenho falhado neste item. A superficialidade
das pessoas sempre foi algo que me assombrou e eu nunca entendi. Quando eu
conheço alguém raso, perco o interesse. Mas a grande questão é que ninguém está
interessado em profundidade, e mesmo quando alguém está, o meu abissal, em
particular, é desnecessário e desinteressante.
Tenho tentado essa vida de
pessoas, já tenho até uma lista daquilo que preciso aprender para ser mais
sociável e normal, mas isso fica para um outro post!

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